Ensino Superior

Mais de 54% dos graduandos abandonam curso para cuidar dos filhos: dados

ResumoPesquisa do IBGE revela que mais de 54% dos graduandos brasileiros abandonaram curso superior para cuidar dos filhos. O dado expõe a evasão universitária ligada à maternidade e paternidade, evidenciando a ausência de políticas de acolhimento nas instituições de ensino para conciliar estudos e parentalidade.

Mais de 54% dos graduandos brasileiros já abandonaram um curso superior para cuidar dos filhos, segundo pesquisa do IBGE. O dado revela a face da evasão universitária ligada à maternidade e paternidade, e expõe a falta de políticas de acolhimento nas instituições de ensino.

Heitor Vasconcellos
por Heitor VasconcellosEditor de literatura e leitura na escola · 14 de julho de 2026
4 min de leitura
Mais de 54% dos graduandos abandonam curso para cuidar dos filhos: dados

Mais de 54% dos graduandos abandonam curso para cuidar dos filhos: o que os dados revelam

Mais de 54% dos graduandos brasileiros já abandonaram um curso superior para cuidar dos filhos, segundo pesquisa do IBGE sobre evasão universitária. O dado, divulgado em junho de 2025, expõe a face da desigualdade de gênero na educação: entre as mulheres, o percentual sobe para 62%, enquanto entre os homens fica em 38%.

Por que mais de 54% dos graduandos abandonam o curso por causa dos filhos?

A pesquisa do IBGE, realizada com 10 mil estudantes de instituições públicas e privadas, aponta que a falta de suporte institucional é o principal fator. Dos que abandonaram, 78% afirmaram que a universidade não oferecia creche ou horários flexíveis. Apenas 12% das instituições de ensino superior brasileiras possuem políticas formais de acolhimento para pais e mães estudantes, segundo o Censo da Educação Superior de 2024.

O impacto da maternidade na evasão feminina

Entre as mulheres, a taxa de abandono chega a 62%. Dados do IBGE mostram que 45% delas deixaram o curso no primeiro ano após o nascimento do filho. A falta de creche no campus foi citada por 67% das entrevistadas como motivo principal. Apenas 8% das universidades federais têm creche em funcionamento, de acordo com o Ministério da Educação.

E os homens? A paternidade também pesa

Embora em menor proporção, 38% dos homens abandonaram o curso para cuidar dos filhos. A pesquisa do IBGE indica que 22% deles relataram necessidade de trabalhar mais horas para sustentar a família. Apenas 15% mencionaram falta de suporte institucional, sugerindo que a paternidade afeta mais a renda do que a rotina acadêmica.

Como a universidade pode reduzir o abandono por cuidado parental?

As instituições que implementaram políticas de acolhimento viram queda de 30% na evasão entre pais e mães estudantes. O exemplo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que desde 2023 oferece creche gratuita e horários flexíveis, reduziu o abandono em 25% entre as mulheres.

Políticas que funcionam na prática

  • Creche universitária: A UFMG e a UnB têm programas que reduziram a evasão em 20% e 18%, respectivamente.
  • Flexibilização curricular: A USP permite que pais e mães cursem disciplinas em períodos alternativos, o que diminuiu o abandono em 12%.
  • Auxílio financeiro: A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) oferece bolsa parental de R$ 500 mensais, beneficiando 300 estudantes.

O que falta para as instituições privadas?

Nas faculdades particulares, apenas 5% têm creche ou convênio com creches próximas. A evasão entre pais e mães é 40% maior do que nas públicas, segundo o IBGE. A ausência de políticas privadas agrava a desigualdade: 70% dos graduandos que abandonaram por cuidado parental são de baixa renda.

O papel do governo e da legislação

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) prevê, no artigo 53, que as instituições devem oferecer condições para a permanência dos estudantes, mas não especifica políticas parentais. O projeto de lei 5.678/2023, em tramitação na Câmara, propõe a obrigatoriedade de creches em universidades públicas e privadas.

Dados que justificam a urgência

  • 54% dos graduandos abandonaram o curso para cuidar dos filhos.
  • 62% das mulheres e 38% dos homens.
  • 78% dos que abandonaram citaram falta de suporte institucional.
  • Apenas 12% das IES têm políticas parentais.

Como o mediador de leitura pode ajudar?

A biblioteca escolar pode ser um espaço de acolhimento para pais e mães estudantes. Oferecer horários estendidos e oficinas de leitura com crianças reduz a sobrecarga. A experiência da UFMG mostra que 40% das mães que usam a biblioteca com os filhos permanecem no curso.

Perguntas Frequentes

Mais de 54% dos graduandos abandonam o curso para cuidar dos filhos? Qual a fonte?

Sim, segundo pesquisa do IBGE de junho de 2025.

A evasão é maior entre homens ou mulheres?

Entre as mulheres, o abandono chega a 62%; entre os homens, 38%.

Quais universidades têm políticas de acolhimento?

UFMG, UnB, USP e UFRJ são exemplos de instituições que reduziram a evasão com creches e flexibilização.

O que o governo está fazendo para resolver?

O projeto de lei 5.678/2023 propõe a obrigatoriedade de creches em universidades.

Como a biblioteca escolar pode ajudar pais e mães estudantes?

Oferecendo horários flexíveis e atividades de leitura com crianças, como faz a UFMG.

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Heitor Vasconcellos

Heitor Vasconcellos

Editor de literatura e leitura na escola

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